Projeto FirEProd
Fogo controlado, risco de incêndio e produtividade do eucaliptal: da investigação à prática
- Enquadramento
- Objetivos
Áreas de estudo e plano de monitorização Principais resultados - Considerações gerais
- Vídeo promocional do projeto
- Iniciativas de divulgação
- Indicadores da execução do projeto
- Bibliografia
FirEProd – “Fogo controlado, risco de incêndio e produtividade do eucaliptal: da investigação à prática”, com a referência PCIF/MOS/0071/2019, é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, através do programa “Concurso de Projetos de Investigação Científica e Desenvolvimento Tecnológico no Âmbito da Prevenção e Combate a Incêndios Florestais – 2019”.
Financiamento
Apoio
Em colaboração com
Enquadramento
O fogo controlado é amplamente reconhecido como um método eficaz para mitigar os riscos de incêndios florestais (descontrolados e com consequências imprevisíveis). Contudo, a sua implementação em eucaliptais tem sido um desafio persistente no cenário nacional e que carece de estudo.
O aumento na frequência e severidade dos incêndios florestais tem sido uma preocupação crescente em Portugal, refletida numa extensa área ardida nos últimos dez anos. O fogo controlado é um método eficaz, para diminuir a carga de combustível florestal, e por sua vez, reduzir significativamente o risco de incêndio. Para integrar um modelo de silvicultura preventiva, específico para certas situações e estratégico para determinada área, é importante investigar não só a eficácia desta técnica na diminuição da carga de combustível, como também o impacte no solo e no rejuvenescimento florestal. O projeto FirEProd, lançado em 2021 com uma duração de quatro anos, surge como resposta a essa necessidade, procurando estudar o impacto e contribuir na definição de recomendações técnicas para a aplicação segura e eficiente do fogo controlado na gestão de sobrantes florestais em povoamentos de eucalipto.
A expectativa é que o projeto FirEProd amplie a compreensão sobre a aplicação do fogo controlado em povoamentos de eucalipto, mas também contribua com orientações práticas e técnicas para os gestores florestais, promovendo assim uma gestão mais segura, sustentável e resiliente das áreas cobertas por estas plantações.
Objetivos
O projeto FirEProd pretende aprofundar o conhecimento sobre o impacto do fogo controlado no solo e na produtividade do eucaliptal. Mais especificamente:
Avaliar o uso de fogo controlado enquanto estratégia de gestão de sobrantes florestais resultantes da exploração (corte).
Averiguar o impacte desta prática no solo, na rebentação das toiças e na produtividade do povoamento.
Áreas de estudo e plano de monitorização
Localização das áreas de estudo e tratamentos aplicados
Povoamentos de Eucalyptus globulus, entre 10 e 14 anos (1ª rotação), homogéneos e sem patamares.
Tratamentos aplicados em cada uma das áreas:
T0 Testemunha – Área controlo sem fogo controlado
T1 Com fogo – Área sujeita a fogo controlado
Implementação do fogo controlado
Nos ensaios, a aplicação do fogo controlado foi feita com ignição com pinga lume, propagação contra o declive e contra o vento, segundo as curvas de nível (em cima – aplicação na Póvoa de Varzim; em baixo – aplicação em Valongo e Nisa).
Monitorização dos ensaios
A monitorização dos ensaios começou a ser feita imediatamente antes, no dia do fogo controlado, 1,5 a 2 meses depois e a partir daí de 4 em 4 meses até aos 12 meses. Os ensaios foram depois acompanhados até final do projeto periodicamente. Foram parâmetros avaliados:
Avaliação da severidade do fogo (logo após o fogo) – instalação de termopares, avaliação da cor das cinzas
Recolha de solo para análise física e química (0-2 cm)
Aferição da taxa de respiração do solo
Avaliação da taxa de rebentação de toiças
Monitorização de sobrevivência e crescimento das varas, com registo de parâmetros fisiológicos
Principais resultados
Severidade do fogo
A severidade é a medida do impacte causado pelo fogo nas características físicas, químicas e biológicas do solo. A severidade foi determinada através de dois métodos: monitorização da temperatura superficial do solo durante as operações de fogo controlado com termopares e avaliação visual das alterações registadas ao nível do substrato florestal e do solo segundo o método de Vega et al. (2013).
*FWI - Fire weather index
Segundo o FWI, os valores registados são considerados reduzidos nos locais de ensaio tratados com fogo controlado (Viegas et al., 2004). Considerando Vega et al. (2013), nas três áreas atribui-se uma severidade mediana de classe 1 em que o horizonte orgânico (manta morta) estava parcial ou totalmente intacto sem perturbação do solo mineral.
Redução da perigosidade de incêndio
Na associação entre a diminuição da perigosidade do risco de incêndio com a redução da carga dos combustíveis finos, pode dizer-se que a relação direta surge com efeito imediato após a aplicação do fogo controlado. A biomassa fina (sobrantes lenhosos com diâmetro inferior a 6 mm, casca e folhas) é a aquela que é consumida primeiramente com a passagem do fogo contribuindo, do ponto de vista preventivo, para a gestão da carga de combustíveis.
A redução da carga dos combustíveis finos, particularmente em situações de risco de ocorrência de incêndio, é essencial para travar o seu avanço diminuindo a sua perigosidade.
Antes da aplicação do fogo
Depois da aplicação do fogo
Impacte no solo – fertilidade
Em todos os locais foi feita a caracterização inicial física e química, e da tipologia de solo. As alterações no solo foram avaliadas principalmente do ponto de vista das características químicas do solo na camada mais superficial (0-2 cm) uma vez que não se registaram alterações a camadas menos superficiais, conforme suportado também em literatura no âmbito de aplicação de fogo controlado.
Relativamente aos resultados do solo (0-2 cm) obtidos antes e após passagem do fogo controlado e quando comparado também com o tratamento testemunha (controlo), registaram-se alterações principalmente a nível do pH do solo e disponibilidade de nutrientes. Em relação à acidez do solo, carácter prevalecente nos locais de ensaio, o pH aumentou ligeiramente após um mês voltando a valores pré-fogo decorridos dois meses. A disponibilidade de nutrientes no solo como fósforo, cálcio ou magnésio aumentou logo após o fogo controlado. Durante a recuperação da flora e rebentação das toiças do eucalipto, esses nutrientes foram provavelmente utilizados para o crescimento vegetal registando-se uma estabilização dos teores um ano após o fogo. A preparação de terreno em curva de nível e a ligeira vala e cômoro existente na linha de plantação pareceram contribuir como barreira promovendo a retenção das cinzas localmente. Quanto ao teor de matéria orgânica na camada superficial do solo, não se verificaram alterações expressivas no solo antes, durante ou depois da passagem do fogo inclusive quando comparado com a sua ausência (tratamento controlo).
Impacte no solo – respiração e atividade biota
A respiração do solo, um indicador-chave da atividade microbiana e da saúde do ecossistema, não apresentou diferenças significativas entre a área queimada e a área não queimada, evidenciando que o fogo controlado não afetou negativamente este processo. O fogo controlado, quando bem planeado e executado, tende a ter um impacto reduzido ou nulo na atividade microbiana do solo, uma vez que o calor não penetra profundamente no solo, preservando a maior parte da matéria orgânica e dos microrganismos. Os fluxos de respiração do solo variam sazonalmente, principalmente devido às flutuações na temperatura e humidade do solo, fatores que influenciam diretamente a atividade biológica.
Resposta vegetativa – sobrevivência de toiças e rebentação de varas
Havia dúvida quanto a potenciais danos nas toiças e impacte na rebentação das mesmas imposta pela aplicação de fogo controlado podendo vir a prejudicar a condução do povoamento em talhadia (ciclo de crescimento que se segue a um primeiro ciclo de crescimento após plantação). Os resultados dos ensaios sugerem sobrevivência e rebentação das toiças (2ª rotação) equiparável entre tratamento com e sem fogo controlado, com alguma tendência para um efeito positivo no crescimento após o fogo controlado. Também foram avaliados parâmetros fisiológicos corroborando esta mesma tendência.
Considerações finais
O fogo controlado foi eficaz na redução da carga de biomassa nos três locais de ensaio
A severidade do fogo foi mediana (classe 1) em todos os ensaios.
Impacte baixo no solo com manutenção da sua fertilidade similar à gestão sem fogo controlado, havendo uma disponibilização de nutrientes mais elevada no pós-fogo a curto prazo, provável contributo da queima da folhada e finos.
O fogo não afetou negativamente a rebentação das toiças nem o crescimento das novas varas.
Técnica com janela de oportunidade para implementação reduzida, condicionada pela meteorologia e limitada pelas condições locais e de humidade da biomassa.
Esta técnica demonstrou ser eficaz na gestão de sobrantes nas condições locais em que foi implementada. Mostrou-se uma técnica eficaz e vantajosa, mas poderá haver redução da proteção do solo e do contributo potencial em matéria orgânica que pudesse advir da biomassa fina. Há, também, emissão de gases. Assim, a sua aplicação deverá ser estratégica, avaliada caso-a-caso por peritos credenciados.
Esta técnica demonstrou ser eficaz na gestão de sobrantes nas condições locais em que foi implementada. Mostrou-se uma técnica eficaz e vantajosa, mas poderá haver redução da proteção do solo e do contributo potencial em matéria orgânica que pudesse advir da biomassa fina. Há, também, emissão de gases. Assim, a sua aplicação deverá ser estratégica, avaliada caso-a-caso por peritos credenciados.
Vídeo promocional do projeto
Iniciativas de divulgação
Indicadores da execução do projeto
teses de mestrado
3
jornadas técnicas
3
comunicações
5
papers
6
investigadores envolvidos
12
entidades parceiras
5
Bibliografia
Vega, J.A., Fontúrbel, T., Merino, A., Fernández, C., Ferreiro, A., Jiménez, E. (2013) Testing the ability of visual indicators of soil burn severity to reflect changes in soil chemical and microbial properties in pine forests and shrubland. Plant and Soil 369, 73-91
Viegas, D.X., Reis, R.M., Cruz, M.G., Viegas, M.T. (2004) Calibração do sistema canadiano de perigo de incêndio para aplicação em Portugal. Silva Lusitana 12(1), 77-93
Para mais informação, por favor contactar:
Ana Quintela (ana.quintela@thenavigatorcompany.com)
Sofia Corticeiro (sofiacorticeiro@ua.pt)